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Quem somos

Mídia Lampião: princípios editoriais

A Mídia Lampião (ML) é uma rede alternativa de jornalistas que funciona, fundamentalmente, de modo colaborativo. Trata-se de uma sociedade de jornalistas sem fins lucrativos, de natureza jurídica, e que visa, essencialmente, difundir notícias e informações a partir do ponto de vista do trabalhador. Partimos da constatação de que a mídia comercial, sob o disfarce da isenção, impõe a visão de mercado (“A aprovação da PEC do Teto dos Gastos fez o mercado respirar aliviado”, “As reformas da previdência e trabalhista são fundamentais para o Brasil voltar a crescer”) como se tais interesses coincidissem com os da maioria da sociedade (A flexibilização da CLT, rotulada de “modernização”, é boa para o trabalhador? E trabalhar até os 65 anos? Contribuir por 40 anos para ter direito à aposentadoria integral é bom para todos?). Apesar de alegarem independência editorial, nesses meios de comunicação quem manda são os editores, subordinados e escolhidos a dedo pelos donos dos veículos (seja Veja, Band, Folha de São Paulo ou a Rádio Globo). Tais empresas de mídia, ainda que quisessem, disporiam de limitada independência editorial, visto que quem lhes financiam são grandes grupos com fortes interesses econômicos, tais como a JBS, os bancos Itaú e Bradesco, etc. (Como o Grupo Globo pode ser contra a PEC dos Gastos se os maiores interessados em sua aprovação são os donos dos bancos Itaú e Bradesco, dois dos maiores credores da dívida pública? A situação dos trabalhadores do setor avícola exibida em reportagem no Jornal Nacional geraria um desconforto nos controladores dos produtos Seara, um dos “parceiros” do Grupo Globo).

Outro dado da mídia no Brasil é o seu oligopólio. No âmbito nacional, basta pensar nas Organizações Globo, ligada à família Marinho, ou mesmo no Grupo Bandeirantes, de propriedade da família Saad (só para ficar com a Globo, a “toda-poderosa”, outrora conhecida como “Vênus Platinada”, controla do futebol, via canais fechados de PPV, à rádio CBN, revista Época, TV Globo, G1, etc.). Na Bahia a situação não é menos diferente: a Rede Bahia, que controla a TV Bahia, o Correio, Globo FM e outras, é ligada à família Magalhães, com o agravante dos membros desta (detentores de meios de comunicação) disputarem com avidez cargos eletivos, funções públicas, postos estratégicos de controle do fundo público e da máquina estatal; ou mesmo a TV Record, Rádio Sociedade e outras, controladas pela Igreja Universal do bispo Edir Macedo. Combinando a defesa dos seus interesses (leia-se: dos seus donos ou controladores) com o dos seus anunciantes (que lhes financiam), ou, no caso da Bahia, com o de determinadas elites políticas [poupo amigos e aliados de holofotes inconvenientes, e ataco aqueles que se lançam sobre o meu caminho (leia-se: opositores)], a mídia comercial, também aqui chamada de convencional, não dispõe da liberdade editorial necessária para ir a fundo e revelar a verdade dos fatos que interessa à maior parte da população, já que, como vimos, encontra-se ela totalmente entrelaçada a interesses outros (a aproximação, feita de modo arbitrário, que procura fazer junto à população é mais para se livrar dessa pecha – isto é, de parcial, elitista, etc. – do que uma mostra de genuína liberdade editorial). Logo, é dessa situação da mídia convencional que se impõe a necessidade de uma mídia alternativa, que mostre os fatos por todos os ângulos, que disponha de verdadeira liberdade editorial.

A Mídia Lampião se inscreve, então, enquanto mídia alternativa, tendo como espaço privilegiado de atuação a Internet – via página eletrônica (homepage), mídias sociais (fanpage no Facebook, perfil no Twitter, Instagram), canal no Youtube. Com o advento da rede mundial (potencializada pela internet ubíqua, via smarthphones, etc.), não apenas as possibilidades de democratização da comunicação ganharam materialidade, dando voz aos “excluídos da mídia”; os artefatos digitais – por serem dispositivos de convergência de mídia – potencializam as possibilidades de comunicação, já que de transmissões “ao vivo” em vídeo à programas de rádio, tudo pode ser feito e divulgado para o público em tempo real.

Ciente de que a mídia alternativa é tachada pela mídia comercial como “digna de pouca confiança” (até porque não deixa de ser sua concorrente), Mídia Lampião se propõe a fazer jornalismo sério, ético e profissional (entendido “profissional” aqui como aquele que graduou-se e habilitou-se para tal função). Seus inspiradores no Brasil são: Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, jornal Brasil de Fato, Rede Brasil Atual, assim como Mídia Ninja, Jornalistas Livres, Rede TVT – TV dos Trabalhadores. Com estes, inclusive, irá procurar estabelecer parcerias.

Diferente da mídia comercial que segue uma linha editorial, mas não assume abertamente, Mídia Lampião, em respeito ao leitor, expõe aqui a linha editorial que orienta a sua forma de atuação: jornalismo alternativo em defesa dos trabalhadores, das causas dos movimentos sociais do campo e da cidade, dos direitos humanos.

Destarte, apresentamos a seguir os NOSSOS PRINCÍPIOS EDITORIAIS:

  • 1) O ponto de partida de todo jornalismo sério é a fonte. Com o objetivo de nunca deixar escapar a verdade (já que o leitor não pode ser enganado), Mídia Lampião observará sempre a origem da informação, a credibilidade da fonte, checando se a informação repassada coincide (ou não) com a veracidade do fato. Em meio às chamadas “fake news”, a observância a tal preceito deve ser mais do que destacada. O sigilo da fonte é, em alguns casos, amparado ao jornalista pela Constituição Federal de 1988.
  • 2) Mídia Lampião adota como critério de verdade a “factualidade do fato”, ou a chamada “verdade factual”, não confundindo, por conseguinte, o fato com as versões distintas do mesmo. Isso, por sua vez, não quer dizer que a ML adotará uma posição de pretensa “imparcialidade”. Ao contrário. O fato é a referência última enquanto critério de verdade; no entanto, não será as “versões” dele apresentadas (por políticos conservadores, ou pela mídia comercial) que guiará a nossa atuação, mas sim nossos princípios editoriais.
  • 3) A Mídia Lampião adotará na divulgação de notícias o critério jornalístico de texto noticioso e artigo opinativo. Enquanto o primeiro se atém fundamentalmente ao factual, o que não quer dizer que não possa conter leves pinceladas editoriais que venham a enriquecer o conjunto do texto, o segundo versa sobre “uma leitura” (particular) do ocorrido (artigos, charges, etc.). O ML pode vir a contar com colunistas no futuro.
  • 4) Mídia Lampião não é uma organização política, mas sim uma rede alternativa de jornalistas que se unem pela afinidade editorial que unifica o ML. Logo, Mídia Lampião não pode se filiar a nenhum partido político. No entanto, isso não significa que o Mídia Lampião seja apartidário, apolítico, ou supostamente neutro; ao contrário, Mídia Lampião reconhece a política (e a forma de atuar nela, os partidos) como meio de transformar a sociedade. Portanto, também aqui os critérios de aproximação e afastamento para com os partidos são os mesmos que orientam a nossa atuação (linha editorial e princípios editoriais).
  • 5) Mídia Lampião se orienta pela defesa dos explorados contra os exploradores no âmbito da economia (repudiamos toda e qualquer medida que, ao fim e ao cabo, significa aumentar o volume de trabalho de quem trabalha e, por conseguinte, aumentar o ganho de capital de quem sobrevive do trabalho alheio); em defesa dos trabalhadores terceirizados e contra as formas de precarização das relações de trabalho; em defesa dos desempregados, das populações em situação de vulnerabilidade social (“moradores de rua”, etc.); contra os abusos da PM nas periferias (a chacina do Cabula, ou o caso Amarildo no Rio, é uma prova de desmandos por parte da PM); em apoio às causas dos movimentos sociais do campo e da cidade (reforma agrária, agricultura familiar; reforma urbana, “em defesa dos sem-teto!”, etc.).
  • 6) Mídia Lampião repudia toda forma de opressão e preconceito, seja de raça, classe, orientação sexual, ou de gênero. ML se coloca em defesa dos direitos humanos, a favor da luta das minorias e contra toda forma de racismo, machismo, comportamento misógino, homofobia ou sexismo. No âmbito da religião, Mídia Lampião reconhece ser essa uma questão de foro privado; no entanto, não concorda com práticas de intolerância religiosa. Por sua vez, Mídia Lampião adota uma forma de atuação baseada exclusivamente na laicidade.
  • 7) Para suprir necessidades de seu funcionamento regular, Mídia Lampião solicitará aos seus leitores contribuições financeiras voluntárias e buscará parcerias entre aqueles que se identifiquem com o nosso projeto editorial, tais como sindicatos, etc. Isso, contudo, não significa que ML abdique dos seus princípios editoriais.
  • 8) Por fim, Mídia Lampião é contra o neoliberalismo no plano econômico, guerras de caráter imperialista; defende a soberania nacional, a autodeterminação dos povos e é contrário à ingerência estrangeira. Também se posiciona contra o que vem sendo chamado de onda conservadora no Brasil (Escola Sem Partido, etc.), assim como rechaça as práticas de desmando típicas das oligarquias políticas baianas. Apoia a cultura e as artes enquanto formas de enriquecimento humano.

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