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Brasil

Estudantes e professores do Colégio Estadual indígena Kijetxawê Zabelê  lançam livro que retrata histórias, encantos e lutas do povo Pataxó

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Livro construído por estudantes e professores Pataxó da Escola Estadual indígena Kijetxawê Zabelê, com mediação do Coletivo Sociedade da Prensa, será lançado na Aldeia Kaí, em Cumuruxatiba, distrito de Prado, no Extremo Sul da Bahia. O lançamento acontece no dia 12 de fevereiro (terça-feira), às 14h, na sede da escola, e contará com uma roda de conversa sobre o processo criativo de construção do livro Kijetxawê Zabelê. A publicação é destinada a escolas indígenas e não indígenas de todo o país, com a intenção de fortalecer a comunidade escolar da Zabelê e a história dos Pataxó de Cumuruxatiba.

Composto por três partes: narrativas de resistência e retomada da comunidade Pataxó da Aldeia Kaí; atividades que podem ser realizadas em sala de aula e uma história infantil criada a partir de oficinas e conversas na escola, o livro está disponível na versão impressa e digital (www.edicoeszabele.com.br). Nele, é possível agarrar-se à cauda da “cobra do tempo” e caminhar pelo percurso de luta e resistência do povo indígena da região. Ou se deixar seduzir pelas histórias dos encantados, delicadamente construídas e desenhada pelas crianças da aldeia. No livro das ervas, o convite é para adentrar nos saberes indígenas de cura por meio das folhas sagradas.

A todo momento, o/a leitor/a será interpelado por poesia, desenhos, manifestos, canções que retratam a força e potência desta comunidade indígena. O livro permite também um encontro com as gigantes Pataxó, mulheres como Dona Jovita (pajé da Aldeia Kaí), que com seus cantos de guerra, sabedorias e muito trabalho lutam dia e noite pelo direito à terra, a vida e à dignidade do povo Pataxó da região.

Como o objetivo do livro também é estimular o desenvolvimento de atividades pedagógicas nas escolas indígenas e não indígenas, várias páginas são feitas para serem recortadas, coladas e transformadas em jogos. Dicas de atividades se espalham pela publicação e inspiram educadores/as a tratar importantes temas de forma lúdica e criativa.

ATXÚHU – Integra o livro o ATXÚHU que significa “linguajar”, em patxôhã. Elaborado em junho de 2018, a partir de um encontro de saberes com a artista indígena Rita Pataxó e as oficinas que integraram a residência artística do Coletivo Sociedade da Prensa, o ATXÚHU traz o alfabeto patxôhã construído a partir de grafismos e carimbos. Com apoio do estudante da Universidade Federal do Sul da Bahia, Vitor Fabem, o alfabeto foi transformado em fonte de computador que pode ser baixada gratuitamente no site do projeto. ”Impressos nesse alfabeto estão as memórias e os afetos gerados por esse encontro. Dessas letras se desdobram palavras de resistência e narrativas”, destacam Laura Castro e Cacá Fonseca, organizadoras da publicação que tem autoria coletiva.

Como tudo começou – Entre 2015 e 2016 a Aldeia Kaí foi vítima de uma série de violências. Em janeiro de 2016, a aldeia sofreu uma violenta e humilhante reintegração de posse que destruiu todas as ocas, casas, plantações e um posto de saúde. Cerca de 100 policiais federais e militares invadiram a área, expulsando a comunidade do seu território, cumprindo o mandado de posse favorável à suposta proprietária da terra, outorgado no ano de 2015. Apenas a escola Zabelê na Aldeia Kaí havia sobrevivido aos tratores e serviu de cozinha, quarto, habitação para muitos.

Foi diante deste contexto de dor que se deu o encontro da escritora e professora universitária Laura Castro com a aldeia. No âmbito de um projeto de extensão da Universidade Federal do Sul da Bahia, onde ensinava, Laura e uma equipe de estudantes bolsistas começaram a desenvolver oficinas e outras atividades na aldeia Kaí. O desejo de construir o livro, levou Laura a juntamente com o Coletivo Sociedade da Prensa, da qual faz parte, a escrever o projeto Edições Zabelê que foi contemplado por um editado do Fundo de Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

“A reintegração de posse de 2016 foi muito sofrida, a destruição da aldeia foi assistida pelas crianças e é uma história traumática para os pataxó da Aldeia Kaí. Tentando responder um pouco da pergunta “O que pode um livro?”, a partir da experiência que vivi com as crianças, fiquei me perguntando se talvez a criação desses encantados, deste livro vivo e a reconexão poética com essas histórias poderiam contribuir para a cicatrização dessa ferida”, partilhou Laura.

As Edições Zabelê surgiram, assim, como uma possibilidade de conviver com os Pataxó de Cumuruxatiba, especificamente da Aldeia Kaí, a partir de sua escola. Foram realizadas uma série de oficinas que contemplam as etapas de criação de um livro para as turmas do Ensino Infantil, Fundamental, Médio e EJA. Foram oficinas de escrita poética, desenho, serigrafia, encadernação e criação de carimbos. Os artistas residentes puderam também, partilhar como aprendizes de valiosos momentos de troca de saberes e fazeres pataxó como as pinturas corporais com jenipapo e a feitura do bolo de puba. Além de acompanhar, de perto, as inúmeras dificuldades enfrentadas por toda a comunidade escolar com as recorrentes faltas de transporte e merenda escolar.

PARA SABER MAIS

Aldeia Kaí está localizada no distrito de Cumuruxatiba, no município de Prado, Extremo Sul da Bahia, dentro do Território Kaí/Pequi, terra indígena de Comexatibá, reconhecido em 27 de julho de 2015. A comunidade é formada por 57 famílias, em torno de 186 pessoas e composta por uma coletiva de lideranças. As crianças são maioria e de extrema importância para enfrentar as lutas e os desafios. Atualmente, a comunidade trabalha ainda em dois projetos, aprovados nos editais da Bahia Produtiva e Sala Verde, que trazem benefícios para Educação Ambiental, o Artesanato, a Pesca e a Agricultura na aldeia. A Kaí, portanto, está aberta a receber visitas de estudantes de escolas públicas e privadas, faculdades e universidades, entre outros.

Colégio Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê leva o nome de Dona Zabelê, hoje já falecida (encantada), que ainda muito jovem foi expulsa da aldeia Barra Velha por ocasião do “Fogo de 1951”, nesse período, grande parte de sua família se fixou em Cumuruxatiba. É uma conquista de um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e foi criada pela Portaria de Nº. 1181 Código 29445213, em 25 de fevereiro de 2006, após intensas lutas e reivindicações do Povo Pataxó frente ao Estado pela Educação Escolar Indígena, intercultural, diferenciada e especifica de qualidade. Em 2017, passou de escola para Colégio Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê por ter sido contemplado com a criação do Ensino Médio.

O Colégio tem anexos em seis aldeias: Kai, Tibá, Alegria Nova, Monte Dourado, Dois Irmãos e Renascer. Oferece turmas de Educação Infantil, ensino fundamental I e II, Ensino Médio, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos (EJA), atingindo um total de aproximadamente 400 alunos (as). A prática pedagógica de ensino de língua indígena Pataxó – o Patxôhã – na Escola Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê, está relacionada com a cultura Pataxó, dialogando no currículo com as perspectivas e demandas do Povo Pataxó.

Tá na lei – A Lei 11.645/2008 institui a obrigatoriedade das histórias e culturas Africanas, Afrobrasileiras e Indígenas nos currículos das escolas públicas e privadas. Os Povos Indígenas têm direito a uma educação escolar específica, diferenciada, intercultural, bilíngue/multilíngue e comunitária, conforme define a legislação nacional que fundamenta a Educação Escolar Indígena.

 

SERVIÇO

O quê? Lançamento do Livro Kijetxawê Zabelê

Quando? 12 de fevereiro de 2019 (terça-feira), 14h

Onde? Colégio Indígena Kijetxawê Zabelê, Aldeia Kaí, Cumuruxatiba, Prado-BA

Quanto? Gratuito

Onde acessar o livro? www.edicoeszabele.com.br

MAIS INFORMAÇÕES

 

Coletivo Sociedade da Prensa

Laura Castro, idealizadora do projeto – (71 993669756)

Colégio Indígena Kijetxawê Zabelê

Cristiane Oliveira  – (73 98853-1335)

Rita Pataxó, diretora do colégio e artista indígena (73 98857-6198)

Assessoria de Imprensa

Bruna Hercog – Assovio Comunicação Criativa – (71) 98864-1906

Fotos de divulgação: https://drive.google.com/drive/folders/1NEVzmfObfxxnIUKBMbbCRkpa9lzz77Ra?usp=sharing

Crédito das fotos: Talita Oliveira (Tamykuã Pataxó)

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ACM Neto e Bolsonaro estão unidos pelo fim da aposentadoria do trabalhador, afirma Robinson

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O encontro entre Jair Bolsonaro e o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, no Palácio do Planalto, é a síntese da “velha política” que, na opinião do deputado estadual Robinson Almeida (PT), está unida para acabar com a aposentadoria do trabalhador brasileiro e não trará “nenhum benefício para a capital baiana”.

“É emblemática a foto dos dois se abraçando, rindo, enquanto tramam a privatização da previdência social e o fim da aposentadoria da classe trabalhadora,” afirmou o parlamentar. “Enquanto Salvador sofre com a chuva, com a falta de obras estruturantes por parte da prefeitura, ACM Neto revela ao Brasil que é unha e carne de Bolsonaro e que juntos planejam um conjunto de malvadeza contra a população mais pobre do nosso país”, enfatizou Robinson Almeida, ressaltando que o DEM comanda, além da Casa Civil, os Ministérios da Agricultura e da Saúde no governo Bolsonaro.

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Bahia

Boletim de análise política por Cláudio André

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Boletim de Análise Política 22/03/2019 ????

Pega fogo cabaré!!! ??? Voltamos com mais um boletim sobre os últimos acontecimentos na política brasileira, mas diante de crises institucionais que merecem ser analisadas com cuidado e serenidade para entender os bastidores do poder em Brasília. Aqui é o meu espaço de compartilhar com vocês algumas análises do que aconteceu de mais importante na política brasileira nesta semana que se encerra.

Prisão de Temer ?: parto da hipótese que a prisão do ex-presidente Temer (independente do mérito argumentado no pedido de prisão preventiva, que é visto como inconstitucional para vários juristas) está dentro do timing do núcleo político da Lava Jato ⚖ em reação ao fracasso do fundo bilionário privado. Querem ressuscitar a agenda de representação política através da prisão de um “figurão” da república.Matéria da Carta Capital aponta com razão para um conflito entre Moro e Maia, sendo que o ministro quer forçar o início imediato do trâmite do pacote anticorrupção na Câmara. A aprovação do pacote reforçaria as suas pretensões de possível presidenciável.

Link: https://www.cartacapital.com.br/politica/entenda-todos-os-passos-do-conflito-entre-maia-e-moro/

O fato é que o governo foi acionado pelo mercado para priorizar a pacificação das divergências, mantendo o diálogo com o Congresso. O cenário sem a aprovação da reforma assusta o mercado financeiro. O pessimismo se abatendo impacta a performance da bolsa e, consequentemente, do câmbio.

– Avaliação de Bolsonaro descendo a ladeira ??
Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (20) mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL):
• Ótimo/bom: 34%• Regular: 34%• Ruim/péssimo: 24%• Não sabe/não respondeu: 8%
A avaliação positiva do presidente caiu 15 pontos percentuais desde a posse. Em fevereiro, segundo a pesquisa, 19% consideravam o governo “ruim/péssimo”; 30%, “regular”; e 39% o avaliavam como “bom/ótimo”. O governo começa a enfrentar dificuldades de apoio da sociedade civil em um período que outros governo enfrentavam uma situação mais favorável de prestígio junto aos eleitores.

Confira matéria do G1 sobre a pesquisa: https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/03/20/governo-bolsonaro-tem-aprovacao-de-34-e-reprovacao-de-24-diz-pesquisa-ibope.ghtml

– Matéria da Folha ? publicada há alguns dias trouxe uma análise política muito sensata do cientista político Fernando Limongi (USP) sobre a governabilidade de Bolsonaro e a necessidade do presidente dialogar com os partidos políticos que possuem força congressual.

Confira no link: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/03/sem-acordo-com-os-partidos-bolsonaro-nao-vai-governar-afirma-cientista-politico.shtml

Manifestações ??? contra a reforma da previdência em todo o Brasil abrem a primeira jornada de protestos contra o governo Bolsonaro.

Confira matéria da Folha: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/03/centrais-sindicais-fazem-manifestacoes-contra-a-reforma-da-previdencia.shtml

– O PT municipal se reuniu nesta semana com os “pré-candidatos” petistas à prefeitura de Salvador. O encontro impacta na forma como pode se delinear uma estratégia do campo governista de Rui Costa para o próximo ano, porém, o governador entende que não cabe antecipar o jogo, pois, é necessário avaliar se surgirá com força um nome “pós-petista” que não polarize a eleição em torno do petismo e consiga entrar nas bases daqueles eleitores que avaliam positivamente a gestão de ACM Neto, mas que estejam dispostos a construir algo “novo”. O governador parece estar convencido que ganhar a prefeitura de Salvador é uma condição para a manutenção do campo político de apoio ao PT no estado, que venceu todas as eleições de 2006 para cá.O cálculo político dos petistas envolve não polarizar as eleições contra ou a favor do partido, mas construindo um novo discurso sobre os desafios da cidade e a necessidade de um novo líder. Um outro fato é importante: as eleições municipais de 2020 não terão coligação proporcional para vereador, o que exige que os partidos montem chapas ainda mais competitivas, o que pressiona para que se projete quais serão os candidatos a vereador e o seu potencial dentro de uma estratégia mais ampla para a eleição de um prefeiturável.

 

Entenda melhor este cenário lendo as matérias a seguir ▶:
https://outline.com/wtj3Ubhttp://atarde.uol.com.br/levivasconcelos/noticias/2043307-pt-de-salvador-coloca-2020-em-pauta-e-na-largada-fica-divididohttps://www.bahianoticias.com.br/noticia/233904-revista-diz-que-bellintani-rompeu-com-neto-e-prefeito-reage-uma-grande-mentira.html

 

– Alerta total para os impactos ambientais ? de Brumadinho no Rio São Francisco. Entenda melhor: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/21/politica/1553194959_991458.html

– Escrevi um artigo baita legal esta semana para o Blog Legis-Ativo sobre o impacto das redes sociais na forma como é conduzida a representação política nas arenas parlamentares.

Leiam e compartilhem!Link do artigo: https://politica.estadao.com.br/blogs/legis-ativo/os-desafios-de-elaborar-uma-representacao-politica-digital/

#DicadaSextaE-book Grátis ?: os cientistas políticos Humberto Dantas e Bruno Souza Silva lançaram recentemente um livro NECESSÁRIO para apresentar a política municipal para o público jovem e demais interessados que desejam entender de forma didática como funciona a política municipal. O livro é uma publicação da Fundação Konrad Adenauer e o Movimento Voto Consciente.

Baixe aqui: http://www.votoconsciente.org.br/wp-content/uploads/2018/12/livro-PoderLegislativoMunicipal-WEB.pdf

Cláudio André de Souza é Professor de Ciência Política da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), colaborador do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais e Cidadania (UCSAL) e autor de “Para onde vai a Política Brasileira?” (Appris, 2018).Twitter: @claudioandre_Facebook: https://www.facebook.com/claudio.a.souza.7

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ARTIGO: ENTRE O CULTO ÀS CINZAS E A TRANSMISSÃO DO FOGO: O QUE SIGNIFICA RENOVAR O PT? ENTRE O CULTO ÀS CINZAS E A TRANSMISSÃO DO FOGO: O QUE SIGNIFICA RENOVAR O PT?

Publicado

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Por Jocivaldo dos Anjos²

Esta frase, atribuída a Gustav Mahler – sem se levar em consideração as posturas ideológicas do autor da mesma – tem servido bastante para as reflexões sobre renovação em todo o mundo. Para os conservadores, esta serve para dizer que na transmissão do fogo vai a herança dos sentimentos dos antecessores e que neste novo corpo há a concentração da velha prática e conservação dos costumes. Para os progressistas, tem sido utilizada para afirmar que é preciso transmitir “o fogo” quer dizer, o poder, para que não se torne cinzas e os espaços “da revolução” não se apague o corcomide-se e se torne cinzas pelos líderes que não sabem sequer utilizar os dois dedos para digitar no celular; não possuem relações mais aproximadas com a “nova” juventude e os costumes, que a idade se trata de um imperativo categórico “kantiano” para dialogar com esta galera ávida pelo novo. A pergunta é: o que é renovar?  Por que renovar? Para que é para quem deve de ser a renovação? Renovar é tão somente uma transmissão etária do cargo ou também inclui as práticas? Principalmente na construção da renovação? No modelo de renovação? Nas linhas mestras orientativas da renovação? Nas articulações? Nos programas? Renovar é a mesma coisa que inovar? Veremos…Mudar e inovar é a lógica de todas as campanhas de disputa. Principalmente na política.

Diria a Marilena Chauí que seria “o mito fundador” de todas as disputas é a mudança. “Precisamos de mudar isso aí”. Dizem todos… da direita para à esquerda que é preciso mudar. Não se dialoga muito sobre para onde mudar e as necessidades de mudar. Se dialoga pouco sobre as partes que carece de mudanças. Sobre o programa da mudança, as formas de mudar passa longe da maioria do imaginário dos propagadores da mudança. E o Partido dos Trabalhadores -PT nesta quadra de mudança urgente. Mudar para onde, PT?Aprendi com os mais velhos que remendo novo em roupa velha não deixa a roupa nova. Somente cobre a ferida da roupa. A alusão serve para dialogar com a estrutura que temos no PT e a conjuntura que a tal mudança se propõe. O PT é formado por forças internas. É preciso, logo, dialogar sobre as formas de relações internas que estas mudanças propõem.

Afirmar que o novo sempre vem pode ser não mais do que frases de efeitos. Pela teoria “evolucionista” o novo sempre virá porque, conforme Tales de Mileto, “ninguém entra duas vezes no mesmo rio”, né? Logo, tudo muda. E, a grandeza da canção de Balchior também há outra frase: “cuidado, meu bem, há perigo na esquina”. A esquina é a curva. E na curva há uma pergunta leninista para onde ir, que o velho soviete perguntou em poucas palavras e muitos ensinamentos: que fazer?A renovação sempre vem apontando novos rumos, no entanto, estes novos rumos “conjunturais” precisam de dar respostas dentro das estruturas existentes: as raízes. Não se pode perder as raízes com as renovações, né? Mas, o que é a raiz que o PT quer e precisa de conservar para não perder a essência na renovação do novo que… teima em vir. Christopher Lasch falou sobre raízes: “a perda da raiz nos deixa sem raiz alguma, salvo a necessidade de raízes”.

Precisamos de ter raiz em qualquer proposição de vida. Qual raiz a proposta mudança propõe a preservar? A conservar? Não precisamos de ir para os discursos ambientalistas sobre conservação e preservação. Mas, entender os conceitos ajuda a atuar diariamente e propor o programa. As renovações que o mundo tem experimentado e se apresenta como o novo não é tão novo assim para além da idade. A pergunta é: a proposição renovativa do PT ultrapassa a etariedade até chegar ao campo das ideias para a superação do estado da arte petista? Completo a reflexão citando o homem que não durou um dia fora da prisão e, dento dela, fez algumas das melhores produções reflexivas do nosso tempo.

Do bloco histórico aos sentidos do reformismo temos Gramsci a orientar, disse o grande Antônio, aliás, como aprendi nas trezenas da roça para o douto de Pádua, no mês de junho, “salve ó grande Antônio “. Serve as leituras do grande Antônio, neste caso o Antônio Gramsci, ao afirmar: “nossa luta não pode se limitar ao momento das eleições. Precisamos divulgar nossas ideias na mídia, na cultura e na educação (…). Precisamos de formar líderes de amanhã, que terão a coragem, a determinação e o talento para defender os interesses do seu povo”. O que faz os representantes da mudança quando não disputam cargos? Como tenta alterar as lógicas opressoras que atuam na sociedade? Um batom novo da nova aparência labial. Mas, nada que um bom beijo não tire. Há disposição para não aceitar estes beijos? Sigamos!

1. Texto reflexivo para uso nas eleições internas do PT em 2019.2. Jocivaldo dos Anjos é militante do Partido dos Trabalhadores.
REFERÊNCIA 1. Dois caminhos para a direita francesa. REVISTA Piauí, 149. Fevereiro de 2019.

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