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Bahia

Para frente é que se anda ou da herança maldita? Dilemas das gestões públicas.

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Por Jocivaldo dos Anjos

As pessoas, ao nascerem, trazem consigo heranças diversas; sejam biológicas ou do seu grupo social. De uma ou de outra forma a se constitui una no mundo, uma vez que suas características fenotípicas jamais serão apresentada ipsis litteris por qualquer outro ser. Estas características, entretanto, jamais poderão ser deterministas a este ser único de suas múltiplas identidades e características que sua herança genética e seu grupo social lhe conferem.

Se o pai ou a mãe possuir uma doença hereditária este ser será já apresentado a sua necessidade de revisitar sua família para poder se curar de tal cólera e continuar vivendo em sua unicidade, mas dentro de um arcabouço familiar. A forma de falar, de ver o mundo, análises sociais, etc. são partes do conteúdo e leituras construídas conforme as condições permitidas que esta pessoa tem, são frutos das relações que ela engendra neste meio. É  permitido também se dizer: para frente é que se anda, mas não se anda para frente sem analisar e entender o passado. Assim também são as gestões públicas e os governos as assumir gestões anteriores, principalmente quando se trata de sucessão da oposição.

Conhecendo o histórico das gestões brasileiras, principalmente das cidades pequenas com características rurais, ainda com a herança mais nítidas do coronelismo, que alguns gestores ao perder a eleição utiliza seus quase 90 dias para desmontarem tudo o que for possível. Desde drive de computadores até a não prestação de contas de convênios deixando as prefeituras incapazes de fomentar contratos diversos com outros entes federados. Isso sem citar na limpeza do lixo, que geralmente as empresas param de pegar lixo na semana subsequente as eleições, carros sucateados, faltando até pneus, limpeza total dos cofres públicos etc. e, com tudo isso se escuta da população, principalmente da oposição: “vamos olhar pra frente e esqueça o passado“.

Lógico. Olhar para frente e desconhecer o passado é negar a história. É negar a historicidade da humanidade e o que fazeres humano para transformar o mundo e apresentar para a geração atual o mundo que temos. Não analisar a herança é não saber como cuidar da doença. Trata-se de uma espécie de anamnese desfalcada. O médico pode receitar algum medicamento sem conhecer a doença? Se a sua resposta é não, logo, nenhum gestor de qualquer partido que seja (da direita à esquerda) pode fazer gestão sem o olho no que foi herdado. (Que deve ser compreendido quando da transição) E, isso não tira o olho para o futuro. Jamais deve tirar, mas não saber como foi o passado de ajuda e desajusta as ações do presente e do futuro. Despolitiza e consegue-se via de regra resultados pífios. Tanto na gestão, quanto na política. Para não falar da ilegalidade que se é não fazer o pente fino na chegada auditando tudo o que se encontrar. Já que também as transições são feitas pela metade.

Desta forma, deve se mirar para todos os lados, e, para o passado também. Não fazer do passado ou da herança maldita as respostas para possíveis incompetências. Não se trata disso. Mas, mirar o passado para que as pessoas compreendam os avanços já feitos sobre o que se encontrou e até onde se andou com os investimentos de capital e de gestão feitos em cada área. Aí daquele a que negam o passado. Aí fazê-lo também nega o futuro e tem por presente (dádiva social) o esquecimento da história.

 

  1. Jocivaldo dos Anjos é Especialista e Mestre em Gestão Pública.

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Bahia

Os sentidos da democracia no capitalismo financeiro

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Democratizar é a palavra de ordem. Em todos os espaços. Desde associação de bairro ou rural se fala em democratizar os espaços para que mais gente participe. Se é nas escolas falamos em democratizar para que haja mais grêmios escolares e também haja eleições diretas para a escolha dos diretores e vices. Já estamos quase em vias de pedir eleições diretas para elegermos os professores. Já elegemos os nossos representantes para as câmaras municipais, assembleias estaduais e câmara federal, além do executivo (prefeitos, governadores e presidentes) por sufrágio universal (voto direto e secreto).

Há em cursos campanhas para que se tire a discricionariedade do presidente da república em indicar os ministros do supremo e tenhamos eleições diretas para elegermos os representantes que serão “intérpretes ou aplicadores“ mor das normas jurídicas nacional. É mais do que comum falar em democracia em nosso país. Mais do que comum. É bonito. Todo mundo gosta. Ninguém é contra e festeja-se sempre que ela ocorrer. Daí, merece uma pergunta. O que democratizamos e para quem democratizamos? Me lembro do Alexis de Tocqueville… mas, não entrarei nos acadêmicos e cita-los. Para desdizer a des-democracia da ABNT sobre as produções da ciência. E, que, eu também concordo.

Com tanta democracia não elegemos um presidente ou governadores negros, apesar de muitos negros se regozijarem com a festa da democracia e defendê-la com unhas e dentes. Elegemos uma mulher presidentA, mas a democracia direta que a levou permitiu que a democracia representativa a tirasse. Não precisa de crime na democracia para ser punido. Afinal, ela é a democracia democrática. É nesta democracia que já chegamos a mais de 700 mil pessoas encarceradas. É nesta democracia que uma cor, a branca, é a maior beneficiária dela. Além de homens serem, de citadinos serem, de adultos serem… li recentemente que contra a democracia somente mais democracia. Não sei. Mas, também não sou contra a democracia. Mas…

Ontem foi eleição do Esporte Clube Bahia, meu time. Meu time do coração está celebrando a democracia. Agora vai. Agora incorporado pelo espírito de Tocqueville celebra mais uma faceta da nossa democracia. E, quando vemos o resultado da democracia não me parece que a sua representatividade democratiza a representação. Vejam somente quem foi eleito.

Será que quando falamos de democracia estamos democratizando para quem sempre já ocupou os espaços com ou sem democracia? Será que se esta democracia representar uma ruptura com quem manda (com ou sem democracia) ela ainda se sustentará e será defendida? Será que conseguiremos democratizar a cor, o gênero, as orientações, os locais de moradia, as categorias, as frações classe por esta democracia que tanto defendemos? É possível de falar em democracia numa sociedade que tem seus rumos definidos por quem tem mais? E quem tem mais somente está disposto a debater e aplicar a democracia se não for mexer nos seus mais. E olhem que é muito mais. Para encerrar: o que estamos democratizando quando vamos para as ruas defender tanto a democracia? Democracia para que e para quem? Sigamos!

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Imbassahy  formou com ACM Neto e Geddel o tripé do golpe na Bahia, diz Florence

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O vice-líder da oposição no Congresso Nacional, o deputado federal Afonso Florence (PT-BA) comenta sobre a saída do Antonio Imbassahy (PSDB-BA) da Secretaria de Governo. “Consumou-se, a já anunciada, troca na Secretaria de Governo do governo Temer, caiu Imbasshy, assumiu Carlos Marum (PMDB-MS). A substituição já tinha sido anunciada, mas Imbassahy conseguiu se manter mais alguns dias no cargo”,  afirma.

De acordo com Florence, “­­­alçado ao posto por ser do PSDB e por seu histórico de serviços prestados ao Carlismo, o desgaste de Imbassahy junto à base de Temer era grande, ele não conseguiu articular nada, ao ponto de ter sido caracterizado pelo vice-presidente da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), como “um incompetente” “um zero à esquerda”, um “merd…”. Noticia-se que ele só não caiu antes porque Temer gosta dele”.

Para a Bahia, mais do que uma vitória, foi um alívio. Imbassahy elegeu-se prefeito de Salvador em 1996 numa memorável campanha em que prometeu construir o Metrô “de” Salvador. A obra foi paralisada, logo no seu início, por fortes denúncias de corrupção. Está foi sua maior antes de assumir a Secretaria de Governo de Temer.

“Imbassahy formou com ACM Neto e Geddel o tripé do golpe na Bahia. Ao lado de Temer, cumpriu papel central na perseguição à Bahia perpetrada por ACM Neto. Com sua queda sobra, como liderança do golpe na Bahia, ACM Neto com sua relação umbilical com Temer”, destaca Afonso.

 O parlamentar acrescenta ainda “nossas posições são opostas às deles. Vamos continuar a lutar contra a retirada de direitos, em especial esta reforma da previdência. Vamos apoiar a apuração isenta das denúncias de corrupção. Vamos continuar a cobrar a aplicação de recursos para a atenção básica na saúde de Salvador, a pior entre os municípios da Bahia”, finaliza.

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Bahia

A ditadura ataca agora a UFMG, por Luis Nassif

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A notícia, agora de manhã, de que a Polícia Federal invadiu a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) levando em condução coercitiva o reitor e a vice-reitora, em uma operação sintomaticamente denominado de “Esperança Equilibrista”, comprova o avanço político do estado de exceção.

A operação visa apurar desvios no Memorial da Anistia, construído pela UFMG.

Assim como no caso da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) repete-se a combinação de PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU).

Há anos o Memorial padece de problemas burocráticos.

Problemas administrativos, que demandam análises administrativas, são transformados em casos policiais, para que se infunda o terror nas universidades, último reduto da liberdade de pensamento no país, depois que a Lava Jato se incumbiu de desmontar o PT e a reforma trabalhista investiu contra as centrais sindicais.

A história do Memorial é bonita.

Todo o país que passou por ditaduras tem movimentos emblemáticos representando a luta contra a repressão. O Brasil teve mais de 50 mil pessoas anistiadas, reconhecidas como perseguidas pela ditadura e não tinha nenhum monumento.

A Comissão de Anistia, quase dez anos atrás, lançou o projeto de Memorial da Anistia, com verbas do Ministério da Justiça e parceria com UFMG. A ideia seria reformar o Coleginho e ali fazer uma exposição permanente. E, ao lado, um prédio para ser o acervo da Comissão de Anistia.

Os problemas ocorreram quando se analisaram as condições do Coleginho, cuja estrutura, antiga, não suportaria as reformas. Foi planejado, então, a construção de um prédio ao lado, que abrigaria o acervo e a própria Comissão de Anistia.

Os valores, de R$ 19 milhões, eram perfeitamente compatíveis com a nova estrutura proposta. Foram abertas três sindicâncias, no Ministério da Justiça, do Ministério Público Federal e na própria UFMG apenas para apurar se houve imperícia no projeto para o Coleginho, que não levou em conta suas condições.

Com o impeachment, não houve sequer nomeação do novo presidente da Comissão de Anistia, e as obras foram paralisadas.

Este ano, foi realizada uma audiência pública em Belo Horizonte, na qual se solicitou à UFMG que terminasse o projeto. E foi recusado pela óbvia falta de verbas que assola as universidades federais.

A invasão da UFMG e a condução coercitiva de oito pessoas mostram três coisas.

A primeira, é que não há um fato apurado e um suspeito preso. Monta-se o velho circo de prender várias pessoas, infundir terror na comunidade, e obter confissões sabe-se lá por quais métodos. A segunda é que a morte do reitor da UFSC não mudou em nada os procedimento.

Têm-se uma PF incapaz de solucionar o caso do helicóptero transportando 500 quilos de cocaína, soltando o piloto e liberando o veículo em prazo recorde e, agora, a investida política contra a segunda universidade. A terceira, é que o nome dado à operação – “Esperança Equilibrista” – é claramente uma provocação aos setores de direitos humanos.

Esse monstro está sendo diretamente alimentado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, que se transformou no principal inspirador da segunda onda repressiva dos filhotes da Lava Jato.

Vamos ver quem são as vozes que se levantarão para denunciar mais esse ataque.

Com informações do GGN

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