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Revés de Dória é um balde de água fria em ACM Neto

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A pesquisa divulgada pelo Datafolha, no último sábado (30), foi um verdadeiro balde de água fria no prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB). O homem das métricas e das redes sociais parece não agradar muito na vida real, uma vez que viu sua vantagem em relação ao correligionário e mentor Geraldo Alckmin zerar e sua distância em relação a Lula ampliar-se.

O desempenho do prefake, como é conhecido nas redes sociais, pode minar os planos de ACM Neto (DEM), que almeja interromper uma hegemonia de 12 anos do PT na Bahia. O prefeito de Salvador é um dos líderes de uma conspiração contra Alckmin, alçando Dória a candidato tucano e oferecendo as portas do Democratas para o chefe do Executivo da capital paulista disputar uma vaga no Planalto.

A ausência constante do ex-apresentador de TV em sua cidade tem motivado várias críticas, inclusive de aliados, que acusam o prefeito de governar a maior cidade do País por meio de um aplicativo de mensagens transmitidas pelo celular (Whatsapp).

Há um ano das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá sinais de recuperação em meio a um bombardeio intermitente da imprensa e também da Justiça, na figura do juiz Sérgio Moro. A própria sondagem do Datafolha mostra o petista à frente do magistrado em um eventual segundo turno.

O que ocorre é que os movimentos de direita e extrema direita não conseguem retirar o apoio ao devastado presidente Michel Temer (PMDB), que só tem míseros 3% de aprovação. Por outro lado, os pré-candidatos apoiados por eles não conseguem superar sequer o caricato Jair Bolsonaro (PSC), que é quem melhor pontua, mas com grande possibilidade de ser rapidamente desidratado quando começar a falar de Economia e dos problemas reais do País.

O atual momento mostra uma ligeira recuperação da esquerda, que tem como principal desafio promover uma união e estabelecer uma estratégia caso o ex-presidente Lula, que ainda é o seu principal expoente, ser inviabilizado no pleito de 2018.

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Estudantes e professores do Colégio Estadual indígena Kijetxawê Zabelê  lançam livro que retrata histórias, encantos e lutas do povo Pataxó

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Livro construído por estudantes e professores Pataxó da Escola Estadual indígena Kijetxawê Zabelê, com mediação do Coletivo Sociedade da Prensa, será lançado na Aldeia Kaí, em Cumuruxatiba, distrito de Prado, no Extremo Sul da Bahia. O lançamento acontece no dia 12 de fevereiro (terça-feira), às 14h, na sede da escola, e contará com uma roda de conversa sobre o processo criativo de construção do livro Kijetxawê Zabelê. A publicação é destinada a escolas indígenas e não indígenas de todo o país, com a intenção de fortalecer a comunidade escolar da Zabelê e a história dos Pataxó de Cumuruxatiba.

Composto por três partes: narrativas de resistência e retomada da comunidade Pataxó da Aldeia Kaí; atividades que podem ser realizadas em sala de aula e uma história infantil criada a partir de oficinas e conversas na escola, o livro está disponível na versão impressa e digital (www.edicoeszabele.com.br). Nele, é possível agarrar-se à cauda da “cobra do tempo” e caminhar pelo percurso de luta e resistência do povo indígena da região. Ou se deixar seduzir pelas histórias dos encantados, delicadamente construídas e desenhada pelas crianças da aldeia. No livro das ervas, o convite é para adentrar nos saberes indígenas de cura por meio das folhas sagradas.

A todo momento, o/a leitor/a será interpelado por poesia, desenhos, manifestos, canções que retratam a força e potência desta comunidade indígena. O livro permite também um encontro com as gigantes Pataxó, mulheres como Dona Jovita (pajé da Aldeia Kaí), que com seus cantos de guerra, sabedorias e muito trabalho lutam dia e noite pelo direito à terra, a vida e à dignidade do povo Pataxó da região.

Como o objetivo do livro também é estimular o desenvolvimento de atividades pedagógicas nas escolas indígenas e não indígenas, várias páginas são feitas para serem recortadas, coladas e transformadas em jogos. Dicas de atividades se espalham pela publicação e inspiram educadores/as a tratar importantes temas de forma lúdica e criativa.

ATXÚHU – Integra o livro o ATXÚHU que significa “linguajar”, em patxôhã. Elaborado em junho de 2018, a partir de um encontro de saberes com a artista indígena Rita Pataxó e as oficinas que integraram a residência artística do Coletivo Sociedade da Prensa, o ATXÚHU traz o alfabeto patxôhã construído a partir de grafismos e carimbos. Com apoio do estudante da Universidade Federal do Sul da Bahia, Vitor Fabem, o alfabeto foi transformado em fonte de computador que pode ser baixada gratuitamente no site do projeto. ”Impressos nesse alfabeto estão as memórias e os afetos gerados por esse encontro. Dessas letras se desdobram palavras de resistência e narrativas”, destacam Laura Castro e Cacá Fonseca, organizadoras da publicação que tem autoria coletiva.

Como tudo começou – Entre 2015 e 2016 a Aldeia Kaí foi vítima de uma série de violências. Em janeiro de 2016, a aldeia sofreu uma violenta e humilhante reintegração de posse que destruiu todas as ocas, casas, plantações e um posto de saúde. Cerca de 100 policiais federais e militares invadiram a área, expulsando a comunidade do seu território, cumprindo o mandado de posse favorável à suposta proprietária da terra, outorgado no ano de 2015. Apenas a escola Zabelê na Aldeia Kaí havia sobrevivido aos tratores e serviu de cozinha, quarto, habitação para muitos.

Foi diante deste contexto de dor que se deu o encontro da escritora e professora universitária Laura Castro com a aldeia. No âmbito de um projeto de extensão da Universidade Federal do Sul da Bahia, onde ensinava, Laura e uma equipe de estudantes bolsistas começaram a desenvolver oficinas e outras atividades na aldeia Kaí. O desejo de construir o livro, levou Laura a juntamente com o Coletivo Sociedade da Prensa, da qual faz parte, a escrever o projeto Edições Zabelê que foi contemplado por um editado do Fundo de Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

“A reintegração de posse de 2016 foi muito sofrida, a destruição da aldeia foi assistida pelas crianças e é uma história traumática para os pataxó da Aldeia Kaí. Tentando responder um pouco da pergunta “O que pode um livro?”, a partir da experiência que vivi com as crianças, fiquei me perguntando se talvez a criação desses encantados, deste livro vivo e a reconexão poética com essas histórias poderiam contribuir para a cicatrização dessa ferida”, partilhou Laura.

As Edições Zabelê surgiram, assim, como uma possibilidade de conviver com os Pataxó de Cumuruxatiba, especificamente da Aldeia Kaí, a partir de sua escola. Foram realizadas uma série de oficinas que contemplam as etapas de criação de um livro para as turmas do Ensino Infantil, Fundamental, Médio e EJA. Foram oficinas de escrita poética, desenho, serigrafia, encadernação e criação de carimbos. Os artistas residentes puderam também, partilhar como aprendizes de valiosos momentos de troca de saberes e fazeres pataxó como as pinturas corporais com jenipapo e a feitura do bolo de puba. Além de acompanhar, de perto, as inúmeras dificuldades enfrentadas por toda a comunidade escolar com as recorrentes faltas de transporte e merenda escolar.

PARA SABER MAIS

Aldeia Kaí está localizada no distrito de Cumuruxatiba, no município de Prado, Extremo Sul da Bahia, dentro do Território Kaí/Pequi, terra indígena de Comexatibá, reconhecido em 27 de julho de 2015. A comunidade é formada por 57 famílias, em torno de 186 pessoas e composta por uma coletiva de lideranças. As crianças são maioria e de extrema importância para enfrentar as lutas e os desafios. Atualmente, a comunidade trabalha ainda em dois projetos, aprovados nos editais da Bahia Produtiva e Sala Verde, que trazem benefícios para Educação Ambiental, o Artesanato, a Pesca e a Agricultura na aldeia. A Kaí, portanto, está aberta a receber visitas de estudantes de escolas públicas e privadas, faculdades e universidades, entre outros.

Colégio Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê leva o nome de Dona Zabelê, hoje já falecida (encantada), que ainda muito jovem foi expulsa da aldeia Barra Velha por ocasião do “Fogo de 1951”, nesse período, grande parte de sua família se fixou em Cumuruxatiba. É uma conquista de um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e foi criada pela Portaria de Nº. 1181 Código 29445213, em 25 de fevereiro de 2006, após intensas lutas e reivindicações do Povo Pataxó frente ao Estado pela Educação Escolar Indígena, intercultural, diferenciada e especifica de qualidade. Em 2017, passou de escola para Colégio Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê por ter sido contemplado com a criação do Ensino Médio.

O Colégio tem anexos em seis aldeias: Kai, Tibá, Alegria Nova, Monte Dourado, Dois Irmãos e Renascer. Oferece turmas de Educação Infantil, ensino fundamental I e II, Ensino Médio, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos (EJA), atingindo um total de aproximadamente 400 alunos (as). A prática pedagógica de ensino de língua indígena Pataxó – o Patxôhã – na Escola Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê, está relacionada com a cultura Pataxó, dialogando no currículo com as perspectivas e demandas do Povo Pataxó.

Tá na lei – A Lei 11.645/2008 institui a obrigatoriedade das histórias e culturas Africanas, Afrobrasileiras e Indígenas nos currículos das escolas públicas e privadas. Os Povos Indígenas têm direito a uma educação escolar específica, diferenciada, intercultural, bilíngue/multilíngue e comunitária, conforme define a legislação nacional que fundamenta a Educação Escolar Indígena.

 

SERVIÇO

O quê? Lançamento do Livro Kijetxawê Zabelê

Quando? 12 de fevereiro de 2019 (terça-feira), 14h

Onde? Colégio Indígena Kijetxawê Zabelê, Aldeia Kaí, Cumuruxatiba, Prado-BA

Quanto? Gratuito

Onde acessar o livro? www.edicoeszabele.com.br

MAIS INFORMAÇÕES

 

Coletivo Sociedade da Prensa

Laura Castro, idealizadora do projeto – (71 993669756)

Colégio Indígena Kijetxawê Zabelê

Cristiane Oliveira  – (73 98853-1335)

Rita Pataxó, diretora do colégio e artista indígena (73 98857-6198)

Assessoria de Imprensa

Bruna Hercog – Assovio Comunicação Criativa – (71) 98864-1906

Fotos de divulgação: https://drive.google.com/drive/folders/1NEVzmfObfxxnIUKBMbbCRkpa9lzz77Ra?usp=sharing

Crédito das fotos: Talita Oliveira (Tamykuã Pataxó)

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Brasil

Precisamos dar um passo largo à esquerda

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O começo de um governo de extrema direita no Brasil é algo assustador e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para refletirmos os desafios para a esquerda.

No ano em que a revolução Cubana completa 60 primaveras precisamos aprender mais com quem teve coragem para fazer uma revolução socialista, como disse Fidel: debaixo do nariz dos Estados Unidos.

Acho que essa percepção é o primeiro passo que os dirigentes partidários, lideranças comunitárias, membros de movimentos sociais, religiosos e os quadros políticos precisam ter. A guerra ideológica nunca deixou de existir, o problema é que muitos dos nossos se satisfazem com os avanços que um governo progressista é capaz de alcançar.

Mas por que temos tanta dificuldade em aprofundar mudanças? Por que não denunciamos com veemência as perversidades do capitalismo? Estamos do lado dos pobres ou dos ricos? Acreditamos ou não na luta de classe?

Então, é necessário delimitar de que lado estamos. A outra ação é organizar os partidos e os movimentos sociais, formar gente verdadeiramente comprometida com a luta. Não dá mais para aceitar autoritários e falsos esquerdistas entre os nossos quadros.

Um partido de esquerda precisa também assumir o seu papel de protagonista, deixar mais de lado a posição de animador eleitoral e não ser só uma sigla para alçar o poder. Partido tem que produzir políticas, pensamentos e alternativas para serem utilizados pelos mandatos, além de formar gente e organizar a luta do povo. Não podemos mais ter partido de esquerda submisso ao governo que construímos. Projeto coletivo não pode ficar centralizado na mão de um “gestor”.

É fundamental também que os mandatos populares aprofundem o caráter participativo, invertendo prioridades. Ganhar a eleição é algo bom, mas a história e as nossas consciências cobram uma postura coerente com os ideais que temos.

Quantos dos nossos governos tem uma educação transformadora?

Frei Beto escreveu que “a política amesquinha-se quando perde o horizonte utópico”. Será que estamos perdendo algo mais valioso do que uma eleição?

Precisamos dar um passo largo à esquerda e priorizar os pobres, além de fazer rodar em todos os lugares possíveis uma célula do projeto político que acreditamos. Ideia sem prática o vento leva e não temos garantia de semeadura. É fundamental ainda ser intransigente com a corrupção e com os privilégios. Não podemos esquecer que o avanço nas leis de combate a corrupção é fruto do nosso trabalho.

Em cada lugar onde a ideia circular com a prática é preciso ter participação, discutindo com os trabalhadores e criando alternativas para superar a opressão.

As novas redes sociais ajudaram a manipulação e a propagação de uma onda idiotizante. Não podemos descartar as novas ferramentas, mas precisamos de corpo a corpo, de círculo de sujeitos que leem a realidade e pensam como transformá-la.

Acredito que é uma tarefa de todos colaborar com algum movimento popular e ajudar na restauração da base social. Não vamos enfrentar as forças do capitalismo do sofá de casa enviando correntes e mensagens divertidas para todos os integrantes da nossa bolha. Que revolução sonhamos?

Já que prometemos não soltar a mão de ninguém, então vamos abrir a roda porque não podemos fazer isso sem os hermanos de tantos países da América Latina. Essa é outra tarefa: pensar ações conjuntas e plantar solidariedade entre esses povos. Então, mãos à obra.

Lino Filho é jornalista

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