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Conheça o mais famoso “preso político” da Venezuela

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Leopoldo López, um dos líderes da oposição “democrática”, em ação durante a tentativaLeopoldo López, um dos líderes da oposição “democrática”, em ação durante a tentativainsurrecional de 2014, junto a um companheiro  no momento em que ia lançar um coquetel Molotov (Foto: Blog de Atilio Boron)

Conheça o mais famoso “preso político” da Venezuela Mencionado repetidamente na mídia hegemônica brasileira (e internacional) como “combatente da liberdade”, Leopoldo López foi o mais ativo dos líderes das manifestações violentas de 2014, quando foram mortas 43 pessoas e centenas ficaram feridas.

Por Atilio A. Boron (*) – do seu blog, de 07/08/2017 – Tradução: Jadson Oliveira (extraído do artigo ’Verdades incômodas sobre a Venezuela e a fúria das oligarquias midiáticas. Reflexões em defesa própria’; o título, o destaque acima e a disposição dos parágrafos são desta edição)  Sobre uma das muitas mentiras: a reiterada caracterização do líder fascista e golpista Leopoldo López como um “preso político”. Em seu afã de congratular-se com o império e a direita nativa, os agentes da oligarquia midiática insistem no tema e, mais ainda, endeusam este personagem e outros da sua laia como se fossem heroicos combatentes pela liberdade. Lhes soa familiar tal falácia? Claro!

Washington a empregou várias vezes no passado: Combatentes pela liberdade foram os “exilados” iraquianos que atestaram que o governo de seu país estava fabricando armas de destruição massiva, sabendo que tal coisa era uma flagrante mentira. Mas seus testemunhos foram decisivos para que o Congresso dos  Estados Unidos aprovasse a declaração de guerra contra o Iraque, junto com José María Aznar e Tony Blair, sinistros cúmplices da trama que todo mundo conhecia como tal [1].

Antes haviam utilizado a mesma virtuosa categoria para exaltar a imagem dos “contras” nicaraguenses, convertendo uns brutais mercenários em heroicos lutadores pela democracia e pelos direitos humanos. Voltaram a fazer a mesma coisa com a “oposição democrática” a Kadafi supostamente bombardeada por este em Bengasi, um fato que depois foi demonstrado absolutamente falso, pois o monitoramento por satélite da zona revelou que não existiu tal bombardeio[2]. Mas a mentira surtiu efeito e as vítimas deste suposto ataque rapidamente se converteram em valorosos combatentes pela liberdade. A mesma coisa está ocorrendo hoje na Venezuela, caracterizando como “preso político” um senhor como Leopoldo López, que na realidade é um político preso, e que o está por ter sido julgado culpado do delito de sedição.

Nos  Estados Unidos, por exemplo, tal delito configura um crime federal e pode chegar a ser punido com prisão perpétua e até com a pena capital se nos incidentes promovidos pelos sediciosos para alterar a ordem institucional ou derrubar as autoridades constituídas ocorrerem vítimas fatais. Parecida é a pena contemplada na Espanha (recordar o caso do tenente coronel Antonio Tejero, em 1981), que em princípio foi sancionado com prisão perpétua por haver tentado um cruento golpe de Estado ocupando a sede das Cortes, retendo os deputados mas sem provocar o menor destroço dentro e fora do recinto. A sanção a López, ao contrário, foi muito mais amena apesar dos destroços produzidos e as mortes ocasionadas (Nota do tradutor: ele foi o mais ativo dos líderes das manifestações violentas de 2014, quando foram mortas 43 pessoas): 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas de reclusão. Com o ânimo de reduzir a tensão política nas vésperas da Assembleia Nacional Constituinte, a Justiça venezuelana lhe concedeu o benefício da prisão domiciliar. Tal como é habitual nestes casos sua outorga estava regida por estritas regras, uma das quais era abster-se de fazer proselitismo político, norma que o líder golpista violou repetidamente e por isso foi devolvido ao cárcere. O mesmo ocorre nos EUA quando um réu sai do cárcere sob “palavra” e viola as condições da liberdade condicional. Nada de novo.

O governo argentino (e outros do mesmo tipo) insiste na libertação do “preso político” Leopoldo López, enquanto mantém como prisioneira política, sem acusações e sem processo, e contra os reclamos das Nações Unidas e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Milagro Sala na prisão de Alto Comedero, em (província argentina) Jujuy. (NT: Milagro Sala é militante social argentina de origem indígena e deputada do Parlasul – Parlamento do Mercosul). [1] Ver el magnífico documental “Iraq: a deadly deception” que prueba todo esto. Ir a:

[2] Ver al respecto:

 

(*) Atilio Boron é sociólogo e cientista político argentino. Ele se diz “latino-americano por convicção”.

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Bahia

Os sentidos da democracia no capitalismo financeiro

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Democratizar é a palavra de ordem. Em todos os espaços. Desde associação de bairro ou rural se fala em democratizar os espaços para que mais gente participe. Se é nas escolas falamos em democratizar para que haja mais grêmios escolares e também haja eleições diretas para a escolha dos diretores e vices. Já estamos quase em vias de pedir eleições diretas para elegermos os professores. Já elegemos os nossos representantes para as câmaras municipais, assembleias estaduais e câmara federal, além do executivo (prefeitos, governadores e presidentes) por sufrágio universal (voto direto e secreto).

Há em cursos campanhas para que se tire a discricionariedade do presidente da república em indicar os ministros do supremo e tenhamos eleições diretas para elegermos os representantes que serão “intérpretes ou aplicadores“ mor das normas jurídicas nacional. É mais do que comum falar em democracia em nosso país. Mais do que comum. É bonito. Todo mundo gosta. Ninguém é contra e festeja-se sempre que ela ocorrer. Daí, merece uma pergunta. O que democratizamos e para quem democratizamos? Me lembro do Alexis de Tocqueville… mas, não entrarei nos acadêmicos e cita-los. Para desdizer a des-democracia da ABNT sobre as produções da ciência. E, que, eu também concordo.

Com tanta democracia não elegemos um presidente ou governadores negros, apesar de muitos negros se regozijarem com a festa da democracia e defendê-la com unhas e dentes. Elegemos uma mulher presidentA, mas a democracia direta que a levou permitiu que a democracia representativa a tirasse. Não precisa de crime na democracia para ser punido. Afinal, ela é a democracia democrática. É nesta democracia que já chegamos a mais de 700 mil pessoas encarceradas. É nesta democracia que uma cor, a branca, é a maior beneficiária dela. Além de homens serem, de citadinos serem, de adultos serem… li recentemente que contra a democracia somente mais democracia. Não sei. Mas, também não sou contra a democracia. Mas…

Ontem foi eleição do Esporte Clube Bahia, meu time. Meu time do coração está celebrando a democracia. Agora vai. Agora incorporado pelo espírito de Tocqueville celebra mais uma faceta da nossa democracia. E, quando vemos o resultado da democracia não me parece que a sua representatividade democratiza a representação. Vejam somente quem foi eleito.

Será que quando falamos de democracia estamos democratizando para quem sempre já ocupou os espaços com ou sem democracia? Será que se esta democracia representar uma ruptura com quem manda (com ou sem democracia) ela ainda se sustentará e será defendida? Será que conseguiremos democratizar a cor, o gênero, as orientações, os locais de moradia, as categorias, as frações classe por esta democracia que tanto defendemos? É possível de falar em democracia numa sociedade que tem seus rumos definidos por quem tem mais? E quem tem mais somente está disposto a debater e aplicar a democracia se não for mexer nos seus mais. E olhem que é muito mais. Para encerrar: o que estamos democratizando quando vamos para as ruas defender tanto a democracia? Democracia para que e para quem? Sigamos!

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Bahia

Para frente é que se anda ou da herança maldita? Dilemas das gestões públicas.

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Por Jocivaldo dos Anjos

As pessoas, ao nascerem, trazem consigo heranças diversas; sejam biológicas ou do seu grupo social. De uma ou de outra forma a se constitui una no mundo, uma vez que suas características fenotípicas jamais serão apresentada ipsis litteris por qualquer outro ser. Estas características, entretanto, jamais poderão ser deterministas a este ser único de suas múltiplas identidades e características que sua herança genética e seu grupo social lhe conferem.

Se o pai ou a mãe possuir uma doença hereditária este ser será já apresentado a sua necessidade de revisitar sua família para poder se curar de tal cólera e continuar vivendo em sua unicidade, mas dentro de um arcabouço familiar. A forma de falar, de ver o mundo, análises sociais, etc. são partes do conteúdo e leituras construídas conforme as condições permitidas que esta pessoa tem, são frutos das relações que ela engendra neste meio. É  permitido também se dizer: para frente é que se anda, mas não se anda para frente sem analisar e entender o passado. Assim também são as gestões públicas e os governos as assumir gestões anteriores, principalmente quando se trata de sucessão da oposição.

Conhecendo o histórico das gestões brasileiras, principalmente das cidades pequenas com características rurais, ainda com a herança mais nítidas do coronelismo, que alguns gestores ao perder a eleição utiliza seus quase 90 dias para desmontarem tudo o que for possível. Desde drive de computadores até a não prestação de contas de convênios deixando as prefeituras incapazes de fomentar contratos diversos com outros entes federados. Isso sem citar na limpeza do lixo, que geralmente as empresas param de pegar lixo na semana subsequente as eleições, carros sucateados, faltando até pneus, limpeza total dos cofres públicos etc. e, com tudo isso se escuta da população, principalmente da oposição: “vamos olhar pra frente e esqueça o passado“.

Lógico. Olhar para frente e desconhecer o passado é negar a história. É negar a historicidade da humanidade e o que fazeres humano para transformar o mundo e apresentar para a geração atual o mundo que temos. Não analisar a herança é não saber como cuidar da doença. Trata-se de uma espécie de anamnese desfalcada. O médico pode receitar algum medicamento sem conhecer a doença? Se a sua resposta é não, logo, nenhum gestor de qualquer partido que seja (da direita à esquerda) pode fazer gestão sem o olho no que foi herdado. (Que deve ser compreendido quando da transição) E, isso não tira o olho para o futuro. Jamais deve tirar, mas não saber como foi o passado de ajuda e desajusta as ações do presente e do futuro. Despolitiza e consegue-se via de regra resultados pífios. Tanto na gestão, quanto na política. Para não falar da ilegalidade que se é não fazer o pente fino na chegada auditando tudo o que se encontrar. Já que também as transições são feitas pela metade.

Desta forma, deve se mirar para todos os lados, e, para o passado também. Não fazer do passado ou da herança maldita as respostas para possíveis incompetências. Não se trata disso. Mas, mirar o passado para que as pessoas compreendam os avanços já feitos sobre o que se encontrou e até onde se andou com os investimentos de capital e de gestão feitos em cada área. Aí daquele a que negam o passado. Aí fazê-lo também nega o futuro e tem por presente (dádiva social) o esquecimento da história.

 

  1. Jocivaldo dos Anjos é Especialista e Mestre em Gestão Pública.

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Bahia

Rede Globo denunciada nos EUA por pagar US$ 15 mi de propina

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O empresário argentino, Alejandro Burzaco, acusou a Rede Globo de Televisão de pagar 15 milhões de dólares para transmitir exclusivamente as Copas do Mundo da FIFA de 2026 e 2030. Segundo Buzarco, a propina foi paga por meio de depósito em banco suíço para Julio Grondona, então vice-presidente da FIFA e chefe do comitê de finanças da entidade.

A denúncia gravíssima foi feita durante o julgamento do ex-dirigente da FIFA, José Maria Marin, que ocorre nos EUA. A Globo nega a acusação afirmando que realizou “amplas investigações internas”. Não basta. Admitindo-se a presunção de inocência, a Globo não pode ficar acima da lei. Precisa ser investigada, pois o roteiro da propina é descrito detalhadamente pelo denunciante.

A ampla divulgação que a Globo prega nas operações da PF e na Lava-Jato, deve também praticar para essa denúncia. Colocar à disposição das autoridades brasileiras as “amplas investigações internas” seria o primeiro passo pra Globo não ser condenada previamente, como costuma fazer com as denúncias que não atingem sua própria organização.

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TV Lampião

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