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Artigo: É a comunicação, estúpido

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Mauricio Macri: exemplo do papel das novas tecnologias da informação nas campanhas eleitorais da direita (Foto: Internet)

É a comunicação, estúpido
Todas as ações que fazemos online e offline deixam um rastro digital: cada compra com cartão de crédito, cada busca no Google, cada deslocamento que fazemos com um smartphone no bolso, cada curtida nas redes sociais. Toda essa informação é cuidadosamente guardada, depois vendida e utilizada.

Por Julieta Dussel (*) – no jornal argentino Página/12, edição de 01/03/2017 – Tradução: Jadson Oliveira

Depois da vitória do Brexit e de Trump muitos nos perguntamos o que está acontecendo no mundo. Por que votaram assim? Depois do escândalo do Correio Argentino, dos Panamá Papers (Nota do Tradutor: envolvendo o presidente Mauricio Macri), do aumento da inflação, do desemprego e das tarifas, não deixamos de nos perguntar como foi que as pessoas votaram em gente deste tipo.

Há muitas explicações possíveis. Mas se antes as coisas podiam ser explicadas com a frase “é a economia, estúpido”, agora poderia ser “é a comunicação, estúpido”.

Podemos pensar que o PRO (NT: partido do presidente argentino) ganhou porque disse o que “as pessoas” queriam ouvir. Mas como se soube? Graças à análise de pesquisas, mas acima de tudo graças ao que se chama “Big Data”. O Big Data se baseia em que todas as ações que fazemos online e offline deixam um rastro digital: cada compra com cartão de crédito, cada busca no Google, cada deslocamento que fazemos com um smartphone no bolso, cada “Me gusta” (curtida) nas redes sociais. Toda essa informação é cuidadosamente guardada, depois vendida e utilizada.

Um grupo de investigadores das universidades de Cambridge e Stanford criou um aplicativo (NT: no original, modelo computacional) que analisou as curtidas (“Me gusta”) no Facebook de 86 mil voluntários, cruzaram com um questionário de 10 perguntas a familiares e amigos destas pessoas e chegaram à conclusão que o modelo criado no computador podia prever muito melhor a personalidade humana do que sua família e seus amigos. Também demonstraram que analisando 68 curtidas de um usuário do Facebook, podiam prever sua cor da pele (com 95% de precisão), sua orientação sexual (88% de precisão) e sua filiação ao Partido Democrata ou Republicano (85%).

Martin Hilbert, doutor em Ciências Sociais, explica que “este estudo foi feito por Kosinski em Cambridge, depois um empresário o utilizou para criar a Cambridge Analytica e Trump contratou a Cambridge Analytica para a eleição”. Que casualidade! A mesma empresa que trabalhou na campanha do Brexit. E segundo explica Hilbert, o que fizeram parece ficção científica: “Trump usou essa base de dados e essa metodologia para criar os perfis de cada cidadão registrado para votar. Quase 250 milhões de perfis. E uma vez classificado cada indivíduo, começaram a atacar. Por exemplo, no terceiro debate com Clinton, Trump apresentou um argumento, e os algoritmos criaram 175 mil versões desta mensagem – com variações na imagem, no subtítulo, na cor, na explicação, etc. – e a mandaram de maneira personalizada. Quando Trump disse “estou a favor do direito de possuir armas”, alguns receberam essa frase com a imagem de um criminoso que entra em uma casa, porque era gente mais medrosa, e outros que eram mais patriotas a receberam com a imagem de uma pessoa que vai caçar com seu filho. Sobre a mesma frase de Trump criaram 175 mil versões personalizadas. Claro, isto nada tem a ver com a democracia. É populismo puro, dizem a você exatamente o que você quer escutar. E não só mandam a mensagem como você mais vai gostar, também podem mostrar só aquilo com que você vai estar de acordo”.

Voltando a nosso país (Argentina), se recordamos que Macri ganhou por apenas 2% dos votos, podemos atribuir essa diferença ao fato de que o PRO conhecia melhor os votantes. E graças a isso puderam comunicar melhor.

Scioli (NT: Daniel Scioli, candidato apoiado por Cristina Kirchner) teve uma campanha levada com a ajuda de milhares de militantes que, com muita boa vontade e pouca organização, trataram de sair convencendo a quem puderam com suas próprias armas. Jorge Telerman (o chefe da campanha de Scioli) mudou de lado poucos dias depois de perder as eleições e foi trabalhar com Rodríguez Larreta (NT: prefeito de Buenos Aires apoiado por Macri) para dirigir os teatros da cidade (um “posto menor”).

Enquanto isso, o PRO tinha uma equipe de 300 pessoas, conduzida por Durán Barba (NT: famoso marqueteiro nascido no Equador que há vários anos trabalha para Macri) e Marcos Peña, trabalhando durante meses (ou anos). Com acesso a muita informação sobre o que as pessoas pensavam, como se comportavam, que assuntos lhes interessavam e que preocupações tinham. E com essa informação fizeram uma campanha levando em conta o que as pessoas queriam ouvir: “Pobreza zero”, “Não vamos tirar nada do que você tem”, “Não vamos perseguir a quem pensa diferente”, “Não vamos demitir ninguém”, “No primeiro mês vão chover os investimentos”, “Reduzir a inflação é a coisa mais fácil para meu governo”, “Não vou usar o Estado para proveito pessoal”. Óbvio que se tratou duma campanha cheia de mentiras, se para eles existe somente a pós-verdade (que viria a ser “minta para mim que eu gosto”). Porém venceram assim.

Este ano há eleições (NT: na Argentina, eleições legislativas) e isso significa uma nova campanha. Temos que saber que há muita informação disponível sobre cada um dos argentinos que votam. Não creio que a resposta a esta situação seja tornar-se paranoico, abandonar os celulares, nem fazer posts no Facebook que digam que não autorizamos que usem nossa informação (o medo que deve dar!). Se trata de saber que essa informação existe e que no PRO a estão usando (para isso queriam a base de dados da Anses! – NT: Administração Nacional da Seguridade Social).

A partir de qualquer proposta alternativa temos que ser realistas e saber a quem se está enfrentando e com que armas lutam. É verdade que usar esses mesmos instrumentos requer um debate ético sobre qual o tipo de informação que se tem direito de usar (um debate para aqueles que têm limites éticos, no PRO tal debate já está resolvido). Mas pelo menos se deve travar esse debate e não acreditar que pelo fato de ter políticas e ideias tão boas elas vão se impor por si só.

(*) Graduada em Comunicação Social.

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Univerão é aberta e Lauro de Freitas e segue até domingo (21)

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Universidade de Verão (Univerão) 2018 tem como tema “Conexões Democráticas para uma Cidade Educadora” e acontecerá de 15 a 21 de janeiro na cidade de Lauro de Freitas. Será um prazer receber a comunidade educativa e participantes em geral dentro da estratégia de ativação dos territórios escolares, visando à construção de uma Cidade Educadora. Confira a programação:

15 de Janeiro
16h , CONFERÊNCIA – ABERTURA DA UNIVERÃO: MESA INSTITUCIONAL; CONFERÊNCIA: UNIVERSIDADE E DEMOCRACIA com: Prof João Carlos Salles e Mediador José Bites de Carvalho, 1000 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

16 de Janeiro
9h às 12h,
MESA REDONDA: FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES com: Prof Penildon Silva Filho, Luís Dourado e Verônica Domingues , 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

15h às 17h,
COMUNICAÇÃO: DEMOCRACIA EM MOMENTO DE CRISE com Deputado Paulo Teixeira , 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

18h às 20h, MESA REDONDA: DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA com: Tatau Godinho, Isadora Browne Ribeiro e Marília Lomanto Veloso . 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

17 de Janeiro
9h às 12h, MESA REDONDA: PERSPECTIVA PARA UMA CIDADE EDUCADORA-CONCEITOS, DESAFIOS E PROPOSTAS com: Naomar Almeida Filho, Paulo Gabriel Nacif . 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

14h às 16h, COMUNICAÇÃO: DIÁLOGO SOBRE EDUCAÇÃO INTEGRAL NA REDE PÚBLICA DAS REGIÕES METROPOLITANAS com: Prof Miguel Arroyo . 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

18 de Janeiro
14h às 16h, COMUNICAÇÃO: DESCOLONIZAÇÃO DO CONHECIMENTO NA UNIVERSIDADE com José Jorge de Carvalho , 200 vagas , CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

16h – ENTREGA DA COMENDA MILTON SANTOS , 1000 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

17h às 20h, MESA REDONDA: MULHERES QUE FAZEM: GÊNERO E DIVERSIDADE com: Julieta Palmeira, Joanna Flores, Valdeci Nascimento, Zelinda Barros, Maira Kubick e Nilma Lino Gomes. 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

19 de Janeiro
9h às 12h, MESA REDONDA: UNIVERSIDADE LIVRE PARA UMA CIDADE EDUCADORA com: Jaci Maria Ferraz de Menezes, Edvaldo Mendes Araújo, Silvio Humberto e Kátia Cunha . 200 vagas. CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

17h às 19h, MESA REDONDA: CULTURA, RELIGIÃO E DEMOCRACIA NO COTIDIANO DAS CIDADES com José Jorge de Carvalho, Vilson Caetano de Souza Júnior e Mãe Lucia das Neves , 200 vagas, CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

20 de Janeiro
9h às 12h, MESA REDONDA: FÓRUM SOCIAL MUNDIAL NA UNIVERÃO, 100 vagas
CENTRO PANAMERICANO DE JUDÔ.

Vejam as oficinas, minicursos, rodas de diálogo e shows gratuitos em:
www.laurodefreitas.ba.gov.br/univerão/

Todas as atividades são gratuitas e são ofertadas por Instituições Públicas do Estado da Bahia!
Inscrevam-se logo!
Algumas atividades estão com as inscrições esgotadas!

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Bahia

Internet proibida na Educação em Salvador.

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Começamos mal 2018 na Educação em Salvador. Não que alguém estivesse tendo grandes expectativas para este ano como um todo, mas não imaginávamos sermos surpreendidos, já no desabrochar do ano (02.01), com notícias como a que nos ofereceu a Secretaria Municipal de Educação (SMED). Pois quase como primeiro ato do ano a SMED distribuiu um aviso anunciando que 36 sites ou redes sociais haviam sido bloqueados, sendo, portanto, impossibilitados de serem acessados tanto pelo “Órgão central” como pelas “Gerências Regionais e Unidades Escolares”.

Ao ver a extensa lista me perguntei imediatamente: por quê não banir de vez a própria internet na educação em Salvador?

É lamentável que uma Secretaria de Educação tome atitude como essa, proibindo, por exemplo, o muito melhor Telegram e não o seu concorrente WhattsApp. Será que é porque aquele foi desenvolvido por dois irmãos russos?!

Proibiram também o Youtube e não o buscador Google, da mesma empresa Alphabet, e, com isso, outro questionamento: qual o critério para selecionar uns e não outros?

Vivemos um momento de intensa luta política, onde a internet está desempenhando um papel central, estando ela própria no foco dos debates contemporâneos. Conectar a escola à internet e usá-la plenamente é parte imprescindível da formação das juventudes. Essa tem sido nossa maior batalha desde 1995, quando conectamos, na gestão da prefeita Lídice da Matta, a primeira escola municipal à internet, a Novo Marotinho.

Necessário se faz inserir as escolas no mundo contemporâneo, contribuindo para uma formação cidadã plena de todos. Diferente do que quer a SMED, precisamos de mais, e não menos,  conexão e formação para o uso pleno das redes. Esse não é um desafio simples, mas não o enfrentaremos banindo os sites e as redes sociais do espaço educacional.

Aqui na Bahia os deputados estaduais já tentaram fazer o mesmo, mas estivemos presentes combatendo e, graças à nossa luta, esse absurdo não passou.

O mais curioso desta iniciativa da Prefeitura de Salvador (DEM), é que na mesma semana do tal comunicado, matéria aqui em A Tarde anunciava que o MEC, também sob o comando do DEM, preocupado com a baixa conectividade das escolas, havia lançado a Política de Inovação Educação Conectada, afirmando em seu site: “a educação pode ser imensamente beneficiada com a tecnologia”, tendo como meta conectar todas as escolas públicas até 2024.

Obviamente nos perguntamos: para que investir na conexão das escolas à internet, pelo menos em Salvador, se aqui tudo é proibido?

O que passa na cabeça dos gestores municipais, que não entendem nada de Educação, Ciência e Tecnologia, e querem tocar às políticas educacionais de nossa cidade?

Texto do Professor Nelson Pretto…
Publicado em A Tarde

 

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Brasil

Meu malvado favorito

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Esse país é realmente surreal, muito estranho, é pra profissionais, como bem disse Vinicius de Morais. Numa suprema corte em que a ala “liberal-progressista” – Luiz Roberto Barroso à frente – se acovardou diante da mídia ou foi arrastada pela força gravitacional do punitivismo curitibano ou ainda, se preferirem, foi picada pela mosca azul, coube ao cão de guarda da velha direita a defesa “ousada” das garantias constitucionais.
É evidente que os princípios que movem Gilmar Mendes não são aqueles evocados em sua retórica, mas seus compromissos e laços com malfeitores do empresariado e do tucanato. O fato é que pra justificar e legitimar sua proteção a esses malfeitores ele também precisa tomar medidas que beneficiam personagens de fora de seu espectro politico-pessoal e assim vai se consolidando como contraponto dos abusos da Lava Jato. Embora seus recentes habeas corpus tenham chamado muita atenção da mídia, a principal decisão de Gilmar nos últimos dias foi a liminar que proíbe as conduções coercitivas, atendendo a recurso do PT.
Essa decisão é muito importante porque as conduções coercitivas, que permitiam a humilhação de acusados e até sua condenação antecipada, são consideradas um dos principais abusos da Lava Jato e o próprio ex-presidente Lula foi vítima desse abuso. Portanto, num país cuja história tem sido marcada pelo protagonismo de anti-heróis, o espírito de macunaima, Gilmar Mendes, aquele que sempre foi alinhado ao tucanato e que desde o mensalão se lançou em uma cruzada contra o PT, agora pode ser decisivo para garantir a liberdade e a candidatura de Lula.
Espera-se que quando os recursos da defesa de Lula chegarem ao Supremo a ala liberal-progressista não se acovarde deixando pra Gilmar o papel de defensor das liberdades democráticas, sob pena do Brasil se tornar um país, não de profissionais, mas de malvados bonzinhos, macunaímas.
Antônio Carregosa (Toninho) – doutor em sociologia pela UFS e militante do PT desde 2002. Atualmente é secretário de administração geral de Paripiranga/BA

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