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Equador e Brasil: a comunicação faz a diferença

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Por Jadson Oliveira

Por Jadson Oliveira – 70 anos, baiano, jornalista e blogueiro. Trabalhou em vários jornais (Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, Diário de Notícias, sucursal do Estadão, jornal Movimento) e assessorias de comunicação

 
Não é por acaso que Lenín Moreno, candidato apoiado por Rafael Correa, promete trabalhar pela “criação de um portal de notícias latino-americano, para servir de alternativa ao cerco informativo dos grandes monopólios midiáticos nacionais e internacionais”.
 
De Salvador-Bahia – Há um aspecto do sucesso da chamada Revolução Cidadã equatoriana, liderada pelo presidente Rafael Correa, que creio esquecido nas variadas análises que tenho lido no Brasil. Aproveito para abordá-lo agora que o Equador está na berlinda com a campanha do segundo turno da eleição presidencial, a realizar-se em 2 de abril.
 
Tal aspecto é nada mais nada menos do que a centralidade da batalha midiática, numa época dominada pela chamada guerra de quarta geração, elevada aos píncaros pela eficiência e sofisticação das tecnologias da informação.
 
As forças políticas no campo das esquerdas (e/ou centro-esquerda) no Brasil, inclusive nossos combativos blogueiros progressistas, parecem ter uma visão manca sobre este aspecto:
 
Durante o golpe que derrubou Dilma Rousseff – e também depois, com a tenaz perseguição ao ex-presidente Lula -, tais forças e suas lideranças, incluindo o próprio Lula, avançaram bastante em apontar um dos inimigos mais visíveis do povo brasileiro, os monopólios da mídia hegemônica, tendo à frente a Rede Globo.
 
Antes, a maioria, incluindo o próprio Lula, morria de medo de citar explicitamente a Globo, abrir a boca e dizer “a TV Globo”. A então presidenta Dilma nem pensar. Não porque sejam medrosos. É porque sabem que a Globo, com seu entrelaçamento de interesses com o grande empresariado e o mundo das finanças e do rentismo, representa – desde que foi criada e engordada durante a ditadura militar – a concentração de poder mais forte do país.
 
Só para facilitar a compreensão: seria possível existir um juiz Sérgio Moro e um STF deste que temos sem o respaldo da Globo. Daí que usamos o carimbo: golpe midiático/parlamentar/judicial.
 
Visão manca porque falta um outro ponto fundamental, do qual as esquerdas brasileiras (e/ou centro-esquerda) parecem não ter consciência: a extrema fragilidade diante da falta de armas e munição para travar a batalha midiática.
 
Não temos jornais diários, não temos TV de alcance nacional, não temos rádios. Não temos uma rede nacional de emissoras de rádio e TV comunitárias. Temos apenas uma revista semanal jornalisticamente confiável (contra três escancaradamente de direita) e, minoritariamente, blogs/sites/plataformas digitais.
 
Conclusão: nesta área, sofremos um massacre. E se não conseguimos construir uma rede de mídia contra-hegemônica, com veículos de comunicação de massa, durante os governos Lula e Dilma, quando aparentemente teríamos mais condições, avaliem agora depois do golpe. (Pensem na contribuição duma tal mídia para a mobilização popular).
 
Há de se discutir a prioridade a ser dada ao incremento dos meios digitais, hoje em franca ascensão, sobretudo entre a juventude, com o consequente fortalecimento dos nossos combativos “guerrilheiros” da blogosfera progressista e das redes sociais.
 
A respeito, lembro que Lula fez recentemente uma proposta interessante (pelo que sei, até agora sem qualquer repercussão prática): criação pela Internet duma rede nacional de comunicação popular, através da ação conjunta de partidos e movimentos como PT, PCdoB, MST, MTST e CUT.
 
Me alonguei em demasia nesta digressão sobre o Brasil. Mas é preciso marcar o contraste. Voltemos, portanto, ao Equador:
 
Correa estudou Comunicação depois de eleito presidente
 
É justamente neste aspecto que difere completamente do Brasil a experiência da Revolução Cidadã. É o seu protagonismo na batalha midiática. Não apenas por ter aprovado a Ley de Medios há mais de três anos – está sendo implementada -, democratizando as concessões de rádio e TV.
 
Mas, sobretudo, por ter criado armas e munição para travar, com poder de fogo, a batalha midiática: criou a mídia contra-hegemônica.
 
Quando estive por lá, em 2015, o governo de Correa tinha dois jornais diários, emissoras de rádio e TV (um canal de TV de forte presença nacional, o Equador TV – canal 7), agência de notícias, além de plataformas na web.
 
O presidente trata os meios privados de comunicação, declaradamente, como inimigos. Era inclusive (creio que ainda é) âncora dum programa semanal na Equador TV, chamado Enlace Ciudadano – de quatro horas (das 10 às 14 horas), aos sábados. (Como âncora, não chega a ter o desempenho espetacular dum Hugo Chávez, com seu Alô Presidente, mas dá para bater forte nos inimigos do povo, inclusive, claro, na imprensa venal).
 
Aliás, conta o jornalista e professor Ignacio Ramonet (diretor da Le Monde Diplomatique em espanhol) que Rafael Correa – economista, com cursos nos Estados Unidos e na Bélgica – estudou Comunicação depois que foi eleito presidente.
 
Não é por acaso que um dos pontos do programa de governo de Lenín Moreno, candidato da Aliança País (partido de Correa), é trabalhar pela “criação de um portal de notícias latino-americano, para servir de alternativa ao cerco informativo dos grandes monopólios midiáticos nacionais e internacionais”.

Aí está o grande diferencial que não é visto nem comentado nas análises que leio por aqui, inclusive de companheiros da blogosfera progressista, hoje a vanguarda da resistência nos meios de comunicação.
 
Este diferencial – protagonismo na batalha midiática – é, sem dúvida, um fator de peso – dentre outros, evidentemente -, nos êxitos indiscutíveis obtidos nesses 10 anos de Revolução Cidadã nas áreas econômica, política e cultural.
 
E, por certo, ajuda a entender as vitórias nas eleições gerais do último dia 19 e a possibilidade de triunfo no segundo turno presidencial em 2 de abril. O que não é pouco numa conjuntura marcada na América Latina pela “restauração conservadora”, expressão cunhada pelo próprio presidente equatoriano.
 
PS 1: Falarei num próximo artigo da coragem/temeridade de Rafael Correa ao abrir mão de disputar sua terceira reeleição.
 
PS 2: Deixo aqui link (ou endereço) de duas matérias que escrevi quando estava no Equador, em 2015:
 
Companheiros blogueiros progressistas: seria o governo brasileiro um caso perdido?
 
 
No Equador, há um presidente que é protagonista na batalha da comunicação
 

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Brasil

Amazônia em chamas: Ibama foi alertado 3 dias antes do “Dia do Fogo”, acionou Moro, mas foi ignorado

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Ato foi marcado via whatsapp por mais de 70 ruralistas da região de Altamira (PA) para mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que apoiam suas ideias de “afrouxar” a fiscalização. Ibama pediu ajuda da Força Nacional, que à época foi autorizada por Moro para reprimir atos de estudantes. Três dias antes do conluio por whatsapp entre mais de 70 ruralistas da região de Altamira, no Pará, para atear fogo na floresta amazônica em 10 de agosto, o Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, recebeu um alerta do Ministério Público Federal sobre a ação, chamada “Dia do Fogo”. As informações são de Carla Aranha, da revista Globo Rural, publicadas na noite deste domingo (25).

“A manifestação dos produtores rurais, caso levada a cabo, ensejará sérias infrações ambientais que poderá, até mesmo, fugir ao controle e impedir a identificação da autoria individual, haja vista a perpetração coletiva”, informou o MPF ao gerente executivo do Ibama em Santarém, Roberto Fernandes Abreu.

Segundo a reportagem, a resposta do Ibama ao MPF, datada do dia 12 e assinada por Roberto Victor Lacava e Silva, gerente executivo substituto do Ibama, informa que as ações de fiscalização estavam prejudicadas por “envolverem riscos relacionados à segurança das equipes em campo”. O documento diz ainda que já haviam sido “expedidos ofícios solicitando o apoio da Força Nacional de Segurança”, ignorados até então pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

Dia do Fogo
Reportagem publicada neste domingo (25) pelo site da revista Globo Rural revela que mais de 70 ruralistas, incluindo grileiros, combinaram por whatsapp incendiar simultaneamente as margens da BR163, na região de Altamira, no Pará, no dia 10 de agosto, que foi chamado “Dia do Fogo”.

O ato foi marcado para mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que apoiam suas ideias de “afrouxar” a fiscalização do Ibama e quem sabe conseguir o perdão das multas pelas infrações cometidas ao Meio Ambiente.

Após a divulgação do ato, os ruralistas mudaram a versão e culpam organizações não governamentais (ONGs) pelo incêndio que consome a Amazônia, fazendo eco à versão propagada por Bolsonaro.

“Esse povo, se eles veem você, eles já vêm armado, já manda você parar, já toma seu celular. Você não pode fazer nada. As caminhonetes que eles andam fazendo esse terror todo, está escrito ICMbio. O presidente Bolsonaro tá certo quando diz que essas Ongs estão botando fogo”, disse a pecuarista Nair Brizola, de Cachoeira da Serra, ao jornalista Ivaci Matias, da Globo Rural, que fez a denúncia sobre o “dia do fogo” neste domingo (25).

Força Nacional
No dia 8 de agosto, dois antes do Dia do Fogo, Moro publicou uma portaria autorizando a atuação da Força Nacional contra os protestos de estudantes que aconteceram dia 13 em todo o país e ocupou a Esplanada dos Ministério, em Brasília.

A portaria 686, publicada hoje no Diário Oficial da União, previa que os agentes poderiam agir “em caráter episódico e planejado, nos dias 7, 12 e 13 de agosto de 2019”, a pedido do Ministério da Educação (MEC).

Em abril, Moro já havia liberado a Força Nacional para acompanhar – e, se fosse o caso, reprimir – manifestações em Brasília durante o Acampamento Terra Livre, uma marcha de indígenas de diversas partes do Brasil à capital federal que ocorre há 15 anos.
O acampamento de indígenas em Brasília foi alvo de críticas do presidente. Durante uma transmissão ao vivo via Facebook, o presidente se referiu ao evento como “encontrão” e disse que quem iria pagar a conta seria o “contribuinte”.

 

 

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“O Nordeste tem um manual de bruxaria para crianças”, diz Damares

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Fala da ministra vem à tona na semana em que o presidente Bolsonaro inicia ofensiva no Nordeste, região onde ele tem menor popularidade

 Mais uma fala polêmica da ministra Damares Alves ganhou repercussão nas redes sociais. Durante uma pregação evangélica feita na Primeira Igreja Batista de João Pessoa, Damares afirma que “está chegando no Nordeste um manual prático de bruxaria para crianças de seis anos”. Segundo ela, o suposto material ensina a como ser bruxa, como fazer roupa e comida de bruxa, além de ensinar as crianças a produzirem a vassoura de bruxa em sala de aula.
O discurso de Damares foi feito antes de ela ocupar o cargo de ministra. O seu resgate nas redes sociais, no entanto, não favorece uma das próximas agendas do governo. Na sexta-feira 24, o presidente Bolsonaro viaja para o Nordeste com a intenção de fazer uma ofensiva na região onde tem menos popularidade – estão previstas a entrega de casas populares e o anúncio de mais verbas para obras de infraestrutura.
Dados do Ibope mostram que apenas 25% dos entrevistados dos estados do Nordeste aprovam a administração de Bolsonaro, 29% a consideram “regular”, 40%, “ruim” ou “péssimo”. Os índices são bem diferentes dos encontrados no Sul do País, por exemplo, onde 44% dos entrevistados aprovam o governo.

A desaprovação no Nordeste é algo que o pesselista enfrenta desde as eleições. O Nordeste foi a única região em que Bolsonaro perdeu para Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT. Foram 69,7% dos votos válidos para o petista (20,3 milhões) contra 30,3% para o capitão do Exército (8,8 milhões).

A hashtag #NordesteCancelaBolsonaro permanece entre os assuntos mais relevantes do Twitter nesta terça-feira 21. Durante sua campanha presidencial, Bolsonaro também fez declarações polêmicas sobre os nordestinos, quando questionado se o combate ao preconceito seria uma tônica do governo. “Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino. Coitado do piauiense. Tudo é coitadismo no Brasil, nós vamos acabar com isso”. Pelo visto, a viagem vai acontecer sem o tom de boas-vindas.

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VÍDEO: nos EUA, Bolsonaro chama estudantes de “idiotas úteis”, “imbecis” e “massa de manobra”

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