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Brasil

O que abril nos reserva?

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Por Danilo Reis*

No dia 13 de dezembro de 1968, foi decretado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que marca o período mais duro da ditadura militar brasileira. Em 13 de dezembro de 2016, foi aprovada pelo senado (assim mesmo, com “s” minúsculo) a Proposta de Emenda à Constituição nº 55 (PEC 55). Como disse Karl Marx, em seu 18 de Brumário de Luís Bonaparte, a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

Entender os fatos do passado é fundamental para compreender o presente. Essa é a primeira lição que se aprende ao estudar História. E se aprende também que invariavelmente o que nos é contado não passa de um ponto de vista dos muitos possíveis para o mesmo acontecimento. Quase sempre, para o bem e para o mal, quem conta essa história é o lado mais forte. Como um quase historiador e jornalista, me permito dizer que no jornalismo também é assim.

Quando começou a se desenhar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, ficava claro que, caso ele se concretizasse, o país entraria numa instabilidade social, política e institucional imprevisível, a despeito dos esforços da grande imprensa – ou simplesmente o PIG, Partido da Imprensa Golpista – para propagandear o contrário. Quando se tira do poder uma governante legitimamente eleita pelo voto popular, através de um golpe, ao qual se tenta dar contornos de legalidade, para atender a interesses torpes, se atinge o ápice do desrespeito às instituições. Se o mais alto cargo do Estado brasileiro não é respeitado, se os direitos de quem o exerce são jogados no lixo, instaura-se, então, o vale-tudo. Nada mais precisa ser respeitado, nem mesmo uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). E nem o próprio STF se respeita ou faz ser respeitada a sua autoridade.

Diárias e sucessivas são as representações dessa instabilidade, com os três poderes numa queda de braço, um presidente sem legitimidade, covarde e que é a personificação da crise, além de uma Câmara dos Deputados e um Senado Federal comandados por uma verdadeira quadrilha. O judiciário, aliás, é – como diz uma expressão atribuída a Rui Barbosa – o poder que mais tem faltado à República. A politização desse judiciário acrescenta um dos maiores elementos de insegurança institucional ao ambiente já bastante instável.

As manifestações nas ruas até demoraram em subir o tom, contudo a repressão por parte da força policial endurece cada vez mais, se chegando ao cúmulo de militares invadirem uma igreja, quebrarem vidros e utilizarem a sacada do prédio como base para atirar bombas contra a população. Pela primeira, vez desde o fim da ditadura, o Brasil só está regredindo, sob qualquer ponto de vista, em qualquer questão.

Os golpistas já pensam em uma estratégia para entregar um dedo e conservar a mão: a saída de Temer, após o dia 31 de dezembro, o que geraria a convocação de eleições indiretas, onde um novo chefe do Executivo seria eleito pelo Congresso. Sim, indiretas. Eleições diretas no caso de afastamento ou renúncia do presidente e seu vice, completada a metade do mandato, só seriam possíveis com uma emenda à Constituição, que depende do Legislativo federal. E não se pode esperar muito dos que lá estão. O principal nome cogitado para assumir o Planalto nessa situação é Fernando Henrique Cardoso que, sendo um aproveitador, tentará impedir as eleições de 2018. É o golpe dentro do golpe.

Sem querer fazer um exercício de futurologia, me valendo da análise do passado, e sem buscar traçar paralelos entre momentos distintos, porém com diversos elementos comuns, lembro-me que a ditadura militar brasileira mostrou sua cara em um 1º de abril, há 52 anos. O que abril de 2017 nos reserva?

*Danilo Reis é jornalista e colaborador do Mídia Lampião

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Bahia

MOVIMENTOS SOCIAIS SE PREPARAM PARA PROTESTAR NO VERÃO DE SALVADOR

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Movimentos sociais na Bahia já se organizam para participar das atividades de verão na Bahia com Protestos e resistência ao golpe de estado no Brasil promovido pelo presidente ilegítimo em exercício Michael Temer. Movimentos como o Coletivo de Ação Fora Temer (CAFT), Filhos e Filhas de Marx, Médicos Pela Democracia, Transbatucada, sindicatos, entre outros, já se articulam para a formação de um movimento unificado para participar dos festejos de verão em Salvador, com muita luta e resistência, respeitando, é claro, os rituais religiosos presentes nas festividades baianas.

No CAFT os preparativos já começaram para as festas da Lavagem do Bonfim, Iemanjá, Carnaval, Dia da Mulher e Fórum Social Mundial (que ocorrerá este ano na cidade de Salvador nos dias 13 a 18 de março). Prometendo uma festa irreverente, com a presença de diversos artistas consagrados na Bahia, bastante música, percussão, Nanotrio, Djs, palavras de ordens, paródias e articulação com diversos movimentos sociais, o Coletivo de Ação Fora Termer promete deixar sua marca impressa no Bonfim através de muita arte, graciosidade, música, paródias e palavras de ordens, se configurando num movimento de luta e resistência dentro das atividades festivas de Salvador.
Mais informações ZAP: (71) 98853-2305, (71) 9 9190-2845

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Bahia

RUI COSTA 64 X 14 ACM NETO

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No clássico baiano para ver quem se torna o melhor gestor público o governador da Bahia Rui Costa (PT) está dando de lavada no prefeito ACM Neto (DEM). Segundo pesquisa divulgada pelo portal G1, nesta terça feira, dia 02 de janeiro, o governador da Bahia lidera o ranking nacional com 64% de projetos executados ou em andamento das promessas feitas na campanha em 2014, se tornando o maior gestor do Brasil, além de ter as suas contas aprovadas no TCU, que não é o caso do prefeito de Salvador.

Bem longe disto, aparece o prefeito de Salvador ACM Neto com apenas 14% dos projetos executados ou em execução, bem abaixo da média nacional que é de 32% de execução de projetos pós-campanha.
Portanto, no embate direto entre os dois candidatos, o governador Rui Costa está dando uma verdadeira lavagem de competência e trabalho sobre o prefeito de Salvador, cujas ações se concentram basicamente em Festas, Asfaltos, Praças e Multas de Trânsito.

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Bahia

Por que a gente homem mata tantas mulheres?

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Por Jocivaldo Dos Anjos

Elas estão certas no meio de tanta gente errada. A gente, que mata, não pode estar certa. Jamais que mata tanto pode estar certa. A ideia do imperialismo masculino como a fase superior do machismo: a ideia da posse que orienta a ideia do posso. Meus “compras”, a gente não pode. A gente não pode poder desta forma.

A gente se acha donos dos corpos, das almas, dos sonhos, dos querer, do pensamento, da manhã, da tarde, da noite… e, caso elas não tenham tempo de serem nossa a ente inventa e cria em nosso querer. Como este tempo, que não existe, não é de ninguém, a gente toma este tempo e cobra delas o único lugar que o imaginário pode morar: a vida.
Semana passava eu dialogava com um irmão meu – irmão que a vida que deu-. A gente precisa de ciclos para falar de vocês e seus sonhos e desejos, companheiras, entre nós homens. Dialogar sobre machismo com mulheres feministas ou não. Precisa de ser um tema nosso. Tem de ser tema dos ciclos, bem como outros temas que nos fere como gente na vida. Mas, tá demais.

Não é conversa para aplauso. Não é papo para se aparecer. É uma tristeza que mancha diariamente com sangue as páginas das vidas delas: a gente mata pela ideia de posse. A gente não saiu ainda do século XX em que elas não votavam. A gente não saiu ainda dos tempos que elas não tinham reconhecimento do trabalho. Compas, ainda a gente não saiu da idade média onde elas não gozavam. Elas hoje gozam, não por nossa vontade, mas pelo direito que elas – e todos os corpos tem de gozar.

A fase superior do machismo é o feminicídio. Quando elas falam: parem de nos matar não é somente uma frase de efeito. É o efeito de uma fase. Que fase! Uma fase que teima em na passar. Precisamos mais do que falar de machismo. Precisamos de superar. Tá puxado! Tá feio! A gente não é dono de ninguém. Porque ninguém pode ser senhor de ninguém em um tempo que não seja de escravização, compas. Desta forma, não sigamos. Não há como seguir matando tantas mulheres por nós sentirmos superiores. Pensemos! Mudemos! …

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